monitorar é preciso

Empresas começam a retirar o bisfenol A, substância potencialmente cancerígena, das mamadeiras

Publicada em 31/03/2010 às 12h54m

O Globo

RIO – Diversas marcas ainda vendem mamadeiras feitas com bisfenol A (BPA), uma espécie de resina nociva à saúde encontrada na maioria dos plásticos. Para muitos cientistas, a substância pode estar por trás do aumento de algumas doenças, entre elas o câncer de mama, os distúrbios cardíacos, a obesidade e a hiperatividade. Na Inglaterra, empresas de mamadeira estão silenciosamente retirando o bisfenol A de seus produtos, como mostra a reportagem publicada hoje no jornal “The Independent”.

A venda de plásticos contendo este tipo de fenol é proibida no Canadá e em alguns estados americanos. O Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador americano, fez um alerta e pediu que os pais reduzissem a exposição de seus filhos a embalagens plásticas, mamadeiras, chupetas, copinhos e até brinquedos contendo a substância. Um estudo feito pela Universidade de Cleveland indica que 90% dos adultos têm traços de bisfenol A no organismo.

Leia mais: EUA alertam para risco de substância usada nos plásticos

O BPA é usado em plásticos para dar sua forma e é utilizado na fabricação da maioria dos produtos que contém o material. Isto inclui computadores, celulares, copos, potes, estantes, brinquedos e peças de carro, entre outros. Somente na Inglaterra, a substância está presente em quase todos os produtos infantis.

A Breast Cancer UK iniciou uma campanha na Inglaterra exigindo a retirada do bisfenol A de todos os produtos infantis. Segundo Clare Dimmer, diretora da instituição, “o cinismo das grandes empresas é impressionante. Apesar dos inúmeros problemas de saúde listados por pesquisadores e do alerta do FDA, os fabricantes continuam afirmam que é perfeitamente seguro usar a substância”.

De acordo com cientistas independentes, o BPA pode ser um dos motivos pelo aumento de diversas doenças como o diabetes, problemas de fertilidade e a má formação fetal. Uma das maiores preocupações é com o bisfenol A em grávidas e em crianças pequenas. A substância pertence a uma classe de químicos que podem atraplhar as funções endócrinas e alterar o funcionamento do hormônio feminino estrogênio.

Enquanto o fenol ainda não é proibido, a pesquisadora Vyvyan Howard, da Ulster University, sugere que os pais usem mamadeiras, potes e copinhos de vidro para alimentar seus filhos. As grávidas também devem limitar a exposição ao BPA.

– A evidência de que o bisfenol A faz mal é grande. Todos, principalmente grávidas e crianças pequenas, devem evitar estes produtos – diz a pesquisadora.

Nos Estados Unidos, as seis maiores empresas de mamadeiras pararam de usar o bisfenol A em sua produção, após o alerta do FDA e da pressão de ONGs e grupos científicos. Entre as mamadeiras importadas, a Phillips Avent fabrica uma versão com polipropileno e sem BPA. A marca Born Free afirma que sempre produziu mamadeiras sem bisfenol A. A Mothercare pretende lançar uma linha de mamadeiras sem a substância até o fim de 2010. A Nuk vai parar de produzir produtos para crianças com este fenol até o fim do ano e a linhaTommee Tippee produz mamadeiras sem BPA desde o início do ano. A empresa, que produz várias linhas da Disney, alega que vai retirar o bisfenol destas mamadeiras até o fim de 2009. No Brasil, a substância é liberada, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite que as empresas utilizem até 0,6 mg por quilo do produto.

A matéria esta no neste link

Qualquer duvida sobre promoção comercial nos escrevam!

PROMOÇÃO COMERCIAL DE LEITE PODE?


Uma simples ida à farmácia, ao supermercado ou a qualquer outra loja que venda produtos de bebês já não é mesma coisa depois que você é mãe. Você enxerga produtos que antes nunca tinha notado, mas estavam ali mesmo. Para nós da Matrice também não foi diferente.

No primeiro semestre de 2007, uma de nós esbarrou com uma promoção comercial feita de forma ilegal em uma farmácia. Esta promoção comercial nada mais era que uma promoção de latinhas de leite artificial, diga-se, de passagem, de uma marca famosa, e expunha estas latas em um formato de pirâmide, dando um destaque exagerado para a fórmula infantil.

Não pensem vocês que era uma farmácia de bairro. Era uma farmácia no centro da capital de São Paulo e pertence a uma rede que atende 6 estados do Brasil.

A Matrice entende que alguns produtos têm que obedecer a normas para que possam ser comercializados. Sabendo que especificamente estes produtos obedeciam à NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactantes e Criança de 1º infância, bicos, chupetas e mamadeiras), esta Matrice então entrou na farmácia, conversou com o responsável e lhe apresentou a norma. No dia seguinte a promoção comercial foi retirada da farmácia!

Mas como nós, mães, defensoras da amamentação, podemos proteger a sociedade de atos abusivos como este? Existe algum órgão, além dos órgãos governamentais que fiscaliza isso?

Existe a IBFAN.

O que é a IBFAN?

A IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network) é uma rede formada por mais de 160 grupos de ativistas espalhados por cerca de 90 países e que atua há mais de 25 anos para a melhoria da nutrição e saúde infantis.A IBFAN tem como objetivo coordenar os esforços de proteção ao aleitamento materno, compartilhar informações e aumentar a consciência mundial sobre a importância da amamentação e os perigos potenciais da alimentação artificial na infância. Ela atua também para sensibilizar as autoridades internacionais (especialmente OMS e UNICEF) e nacionais quanto à implementação do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e das Resoluções e ele relacionadas. No Brasil, a REDE IBFAN foi fundada em 1981 e está presente em diversas cidades espalhadas por vários Estados. Conta com membros voluntários, profissionais das mais diversas áreas como saúde, psicologia, assistência social, direito, promotoria pública, agronomia, medicina veterinária, pedagogia, fonoaudiologia, antropologia, sociologia jornalismo, fiscalização sanitária, mães e pais da comunidade, profissionais ligados a organizações não governamentais de defesa da cidadania, a grupos de incentivo da amamentação ou cidadãos interessados no tema de atuação da IBFAN.

A missão da IBFAN é: Promover e defender o aleitamento materno e eliminar as práticas não éticas de mercadização de produtos que interferem negativamente na amamentação.

COMERCIALIZAÇÂO DOS PRODUTOS

Alguns produtos, para serem comercializados, precisam obedecer algumas regras.

No Brasil existe a NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactantes e Criança de 1º infância, bicos, chupetas e mamadeiras), que é um conjunto de normas que regula a promoção de comercial e a rotulagem de alimentos e produtos destinados a recém-nascidos e crianças de até 3 anos de idade, como leites, papinhas, chupetas e mamadeiras.

O objetivo é assegurar o uso apropriado desses produtos, de forma que não haja interferência na prática de aleitamento materno.

O QUE ESTAVA ERRADO NA FARMÁCIA?

Foto tirada da promoção da farmácia

EXPOSIÇÃO INCORRETA

A legislação brasileira proíbe a promoção comercial de fórmula infantil para crianças de até 11 meses e 29 dias, elas são chamadas de lactentes.

O que pode ser considerado promoção comercial? “É um conjunto de atividades informativas e de persuasão procedentes de empresas responsáveis pela produção ou manipulação, distribuição e comercialização com o objetivo de induzir a aquisição ou venda de um determinado produto”. [Portaria 2.051, artigo 3º XXIX]

Note que na foto a promoção da fórmula infantil para lactentes é uma promoção comercial, ferindo o artigo 4º da Lei 11.265/2006.

TAMBÉM É PROIBIDA A PROMOÇÃO DESTE TIPO DE ALIMENTO!!

Quando o estabelecimento não segue a norma específica, ele pode ser multado de R$ 2.000,00 à R$ 1.500.000,00, podendo dobrar em caso de reincidência.

QUEM PODE MONITORAR?

Qualquer pessoa pode denunciar uma prática abusiva como esta. Como fazer? Escreva para a Matrice ou para a IBFAN e denuncie, que iremos lá prontamente verificar.

“Você é o personagem decisivo em toda essa história, pois são os produtos que dependem do consumidor. Aja com cidadania, trabalhe a favor do aleitamento materno e tenha a certeza de que você vai encontrar”. IBFAN BRASIL

Nesta mesma lei também são regulamentadas as chupetas, mamadeiras, bicos, leites em pó e leites fluidos, para cada um existe uma especificação. Estaremos no blog colocando uma a uma.

Cartilha da Anvisa

Materiais da IBFAN

DOAÇÃO DE FORMULAS

proibido.jpg

Recebi este email outro dia da Ana Cris Duarte.
Fiquei indignada. Mas não é para se indignar? Leiam vcs!!!

Olá a todos…Gostava que tomassem uma atenção especial a este email. Sabiam, que desde o início deste ano o acesso gratuito ao leite foi negado ás mães com bebés entre os 0 e os 6 meses? A falta de verbas no Estado, fez com que as entidades competentes deixassem de ter possibilidades de adquirir este leite. Por vezes quando nos deparamos com algumas situações sociais que nos incomodam, que nos inquietam e que sentimos que temos o dever de fazer algo pelos outros, ficamos a pensar… Ainda bem, é sinal que nos preocupamos e que somos sensíveis ao que nos rodeia. Nesse sentido e dado à imediata disponibilidade dos envolvidos nesta causa, foi criado um evento para angariação de leite de lata. O “BABYS LOVES MILK”, é um evento que tem um carácter informativo e apelativo para a consciência do problema actual. O objectivo principal é… dar leite. Bem como dar a conhecer publicamente a situação actual face a este problema do aleitamento. Todas as pessoas são convidados a estarem presentes no evento dia 21 Dezembro, que se irá realizar no BAR DO RIO. A entrada é garantida com o contributo de uma lata em pó para bebés dos 0 aos 6 meses. Contamos com o patrocínio de algumas entidades, que nos ajudaram a tornar real o projecto. Se todos colaborarmos um bocadinho, é possível minimizar as necessidades de muitas crianças e ajudar a terem acesso a leite adequado ao seu bom desenvolvimento e crescimento. Após termos falado com a Rita Andrade ( SIC ), soubemos que a mesma está interessada em dar a cara para este evento.Contamos com o apoio da Filipa Gomes – Psicologia e apoio humanitário e Paulo Fernandes, Produtor da Empresa STUDIO SNDS. Vamos dando noticias…Contamos convosco…Marta TacãoINETI – DB/UMEEstrada do Paço do Lumiar,xxxxxx-0xx LisboaPortugal(+xxx xxx xxx xxx ext.xxxx) Atualizando: a Marta entrou em contato conosco, afirmando q seus dados só apareceram pq ela tinha repassado o email recebido; achamos ok retirá-los, deixando apenas o conteúdo do texto, q é o suficiente pra gente achar ruim…

Agora qual a obrigação do Estado comprar Fórmulas ou apoiar a amamentação?
Este evento esta acontecendo em Portugal. Aqui no Brasil estas doações não poderiam ocorrer.
O art 12 da portaria 251 veda expressamente:
“Ficam proibidas as doações ou vendas a preços reduzidos dos produtos abrangidos por esta. Norma com fins promocionais às maternidades e outras instituições que prestam assistência a crianças, quer para uso da própria instituição, quer para distribuição à clientela externa.”
Então se vcs souberem de alguma doação de formulas, chupetas e mamadeiras por favor denunciem. Madem um email para gente: grupomatrice@gmail.com

Vamos ajudar a que as leis sejam respeitadas!!!

bblindo

Vamos imaginar que não existe uma legislação brasileira que proteja a amamentação regulamentando o marketing de susbtituos do LM. O que aconteceria?

Não, não é preciso voltar pra década de 70, quando as mães deixavam as maternidades com latas de fórmulas infantis como brinde pelo seu recém-nascido. É só observar o que acontece hoje numa grande ilha do primeiro mundo: Grã-Bretanha.

Lá recentemente mães com bbs pequenos receberam via correio o seguinte anúncio:

cow

O texto acima diz: “Estou pensando em comprar uma camiseta escrita: Perigo! Peitos Doloridos!”

O logo no canto é da Cow&Gate e dentro do folheto a mãe é encorajada a visitar o site e telefonar para o serviço de atendimento e cuidados, carinhosamente chamada “careline”. Isso é o que eu chamo de pegar na ferida, literalmente, afinal quantas mães você conhece tiveram que passar pela dor do início da amamentação?

No Brasil esse tipo de promoção não pode acontecer porque o fabricante de fórmulas infantis não pode ter contato direto com a mãe. Na Inglaterra, a lei é mais branda e isso acontece. Na Inglaterra, apenas 71% das mães iniciam a amamentação e um terço delas acredita que não há diferença entre fórmulas infantis e leite materno. A Inglaterra só perde para a Bélgica entre os países com os piores índices de amamentação na Comunidade Européia e ainda 9 entre 10 mães afirmam que gostariam de ter amamentado mais. Na Inglaterra também estão lançando o Manifesto da Amamentação para tentar mudar isso. Boa sorte, Mike Brady! E a campanha recebeu o apoio ilustre de um rapaz, Theo Wallcott, filho de líder da La Leche League e hoje esportista profissional. Ele deve sua saúde e bons hábitos alimentares ao bom começo que sua mãe lhe deu com amamentação e alimentação saudável.

E é aí que a Nestlé no Brasil pisou na bola. Com 46% de seu faturamento proveniente de alimentos nada saudáveis, ela é parceira do programa Fome Zero. Sua intenção não é alimentar e sim aliciar toda uma geração que vai receber alimentos pouco saudáveis e leite em pó, muito leite em pó que põe em risco índices de amamentação logrados com anos de trabalho.

Como assim? Existem estudos que mostraram que 70% das mães carentes brasileiras usam leite Ninho em vez do Nan por causa do preço e isso é alcançado com estratégias do tipo colocar o Ninho próximo ao Nan na mesma prateleira ou no mesmo agrupamento. A leitura da mãe, seja porque ela precisa fazer isso, ou por puro erro, é que uma coisa é igual à outra. E não é!!! Ninho é mais um leite em pó, completamente inadequado para bbs menores de 6 meses. Nan é uma fórmula específica para recém-nascidos. Essa mãe desavisada, muitas vezes, acha q basta diluir o Ninho com mais água, pois dá(daria) no mesmo… E lá vai um bbzinho tomar apenas água com alguma coisa de nutriente… Isso não é proibido pela legislação, mas pode ser considerada uma prática pouco ética de marketing. O código internacional visa defender a escolha da mãe pela melhor forma de cuidar de seu bebê e portanto ele cuida de mensagens errôneas que as companhias produtoras de alimentos infantis possam estar passando. Leites integrais e fórmulas de seguimentos não devem estar perto do Nan.

Meu alpino não tem mais o mesmo gosto, mas esse bebê aí em cima com certeza não está nem aí! Ao ser amamentado no seio, ele está sendo protegido de diabetes, obesidade, problemas cardíacos, gripes no ar, diarréia, desidratação, cólicas, maus tratos, abusos, mãe com baby blues, alergias, doenças respiratórias, desentendimentos instantâneos com mamãe e o mundo, o medo do novo, pânico do escuro, inseguranças e sem dúvida, baixa auto-estima, afinal ele vale o esforço e o prazer!

foto do bebê: http://www.babyfeedinglawgroup.org.uk/

Leia mais: Uma leitura muito educativa é a carta que o Ibfan sugere que seja mandado ao Presidente Lula por conta do envolvimento da Nestlé com o Fome Zero.

5 respostas para monitorar é preciso

  1. carlalrs disse:

    Excelente!!! Obrigada mais uma vez por disponibilizar informações tão importantes à população interessada!!!

  2. . . . disse:

    Calma aí hein gente.

    Existem “n” mulheres que por vários motivos não produzem leite, e muitas destas não tem condições de ficar comprando latas de leites específicos para recém-nascidos.

    Outro ponto é a licença maternidade. A mulher está no mercado de trabalho, e por mais que queira estar em contato com seu filho, precisa retornar.

    No caso da farmácia vocês perceberam que ao serem informados pela lei, os donos reorganizaram a prateleira? Não foi preciso organizar nenhum motim, ou acionar um orgão para conseguir isso. Provavelmente os donos não conheciam esta norma.

    Abraços

    • Se existe uma norma os establecimentos devem segui-las. Quando abrimos um negocio tiramos CNPJ conforme a regulamentação necessaria. A Nbcal é uma norma que deve ser seguida assim como qualquer outra em nosso pais.
      A discussão neste artigo não é a necessidade ou nao das formulas artificiais, mas sim como elas sao apresentadas ao consumidor!

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