Esperançar

Hoje se sabe que as mamadas noturnas no pico da prolactina ajudam a mãe a estabelecer sua produção de leite, principalmente nos primeiros TRÊS meses. Também percebemos com a experiência das mães à nossa volta e nas nossas listas de discussão virtuais que existem bebês que têm fases (a cada 2 meses) quando acordam muito mais e nossa vida vira um inferno melhorando depois de 10 dias. São os “picos de desenvolvimento” onde os avanços em coordenação motora ou na aquisição de novas capacidades tiram a criança e a mãe da tão querida rotina. Noutros momentos, são apenas os dentes nascendo que causam incômodos. Ainda noutros momentos, são uma comida nova, a troca de cuidador ou a chegada do inverno.
A amamentação depois do primeiro ano e depois de estabelecida a alimentação é pouco descrita e pouco estudada. Por quê esse bebê mama tanto depois de se alimentar e quando sua compreensão do mundo já está tão avançado? Eu me questiono. Meu bebê tem 1 ano e 8 meses, entende muito, demonstra até uma grande memória repetindo movimentos que ele fez uma vez um mês atrás, lembrando de pessoas, lembrando de nomes. No entanto ele mama bastante quando está comigo de dia e várias vezes depois das duas da manhã. Se ele tem boa memória, ele sabe que mamãe está sempre por aqui. Se ele tem uma boa compreensão, ele entende que é hora de dormir. Se ele consegue se comunicar tão bem, ele saberia que pode eventualmente pedir e eu abrir uma exceção. Poderia, não é mesmo, durante um dos famosos picos de desenvolvimento. Isso se eu resolvesse pelo desmame noturno. O método no entanto nunca me convenceu.
Acho que ainda vamos descobrir muita coisa sobre o leite materno em relação a nossa vida moderna. Com isso eu não descarto a possibilidade de faltar algo em nossas vidas e eles recuperarerm isso com a amamentação noturna. Também não descarto a possibilidade dessas necessidades serem supridas pela voz do pai, massagem nas costas, e cantigas sussurradas no meio da noite. O peito é tão mais fácil, no entanto, tão menos racional e tão mais direto.
É como aprender a ler e escrever. Você tem uma vivência direta do mundo e de uma hora para outra insere um código elaborado de símbolos e regras para traduzir esse mundo. Pode estar de acordo com a evolução do homem e dos tempos mas nas trocas sempre deixamos algo de lado. Talvez a única função dessa “amamentação noturna prolongada” que muitas vezes acontece (e não estou falando de casos excepcionais, só do básico: um resmungo, peito, uma sugadinha e volta a dormir de 3 a 4 vezes em 8 horas)… talvez sua única função seja crescermos com a certeza de que pedir, é receber, e pedindo, sempre haverá mais leite materno. É nossa forma de ter e ensinar esperança.

E você, o que acha da amamentação noturna?

6 respostas para Esperançar

  1. Raquel disse:

    Quando eu decidi pelo desmame noturno de uma forma bem gradual, com pouco mais de dois anos, o que foi o primeiro passo foi não oferecer o peito de cara, as vezes os resmungos ficam só me resmungos com um “mamãe está aqui”, mas a minha atitude mais espontanea seria a de dar mama com os resmungos sem nem pensar que podia ser que não fosse aquilo que ele queria.
    Passei a simplismente não oferecer mamá a noite a não ser que ele pedisse mama especificamente, se não era um abaraço, uma frase e só se não adiantar oferecer o peito, demorou um pouco mais em menos de 2 meses ele passou a dormir algumas noites sem acordar, pelo menos uma vez na semana, em algumas semanas chega a três. Quando acorda geralmente são poucas vezes, no maximo 3, mas na maioria tem sido uma, em algumas duas, as vezes ele volta a dormir só de eu falar com ele, deitar ao lado.
    Eu pensava que demoraria mais para surtir efeito uma mudança tão pequena da minha parte, mas está sendo mais facil do que eu imaginava, espero só não estar falando cedo demais…

  2. Analy Uriarte disse:

    Pois é Raquel, o aprendizado é sempre dos dois lados. Meu primeiro passou a dormir a noite toda com essa idade: um pouco mais de dois anos. A segunda demorou mais mas percebi que não acordava para mamar mas porque estava incomodada com coçeiras de fundo alérgico.
    O que ajudou foi passá-los a uma caminha grudada na minha onde realmente o resmungo demora uns segundos a mais para atender… e assim pude gradualmente deixar eles desmamarem à noite.
    O terceiro eu falo ás vezes: “Agora vira para o outro lado e dorme, filhinho… e ele faz.”😉

  3. priscila disse:

    Para mim, a mamada noturna sempre foi um momento de intimidade especial entre mim e meus bebês. Claro que eu tinha sono. Mas era a hora em que não tinha ninguém acordado, só o bebê e eu. A madrugada, descobrir os sons da rua naquelas horas desertas, o bebê olhar nos meus olhos com aquela luzinha mortiça que eu deixava no quarto. Era bom, sabe? Tenho saudade daquele namoro.

  4. Ana Basaglia disse:

    Estou com a Priscila: pra MIM, amamentar à noite era sinônimo de intimidade especial, apenas eu e a bb… 😉

  5. Simone disse:

    pra mim foi essencial.

  6. Alessandra Krause disse:

    Meninas, pensando no artigo e na própria campanha da SMAM desse ano, fiquei lembrando da minha história, da amamentação do meu filho, que durou 1 ano e 7 meses, época em que ele aumentou sensivelmente a quantidade de mamadas noturnas, sempre pedindo o peito ao acordar. Chegou um momento em que eu realmente estava esgotada e a amamentação deixou de ser um prazer, como havia sido até então. Confesso que foi difícil decidir por deixar de amamentar, porque sempre havia sido um momento de extrema intimidade e cumplicidade entre meu filho e eu. Mas não adiantaram as conversas na madrugada e eu um dia sentei com meu pequeno e disse a ele que não mais iria amamentá-lo e foi uma semana de pouco sono, de muito choro (dos dois) de madrugada, de muita conversa e muito carinho, explicando que ele precisava dormir, que a mamãe estava muito cansada, que era hora de dormir. Depois de uma semana ele passou a dormir a noite inteira. Até hoje fico com ele antes de dormir, conto histórias, beijo, abraço e mãozinha… várias são as noites em que ele vem pra minha cama no meio da noite, me abraça forte e ficamos assim, juntinhos…. mas creio que se tivesse tido mais apoio antes do desmame, poderia ter seguido. De qualquer modo, acho importantíssimo que as mulheres tenham mais informações, mais apoio e locais para sentirem-se acolhidas. Grande beijo e Parabéns à MATRICE.

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