depoimentos

Espaço reservado para histórias de sucesso na amamentação, de vitórias conquistadas, de superações alcançadas, enfim… histórias bacanas! Participe você também! Mande sua história para o email grupomatrice@gmail.com, que a gente publica!

Veja AQUI alguns depoimentos garimpados pela net, que comprovam que muita gente também está conseguindo “remar contra a maré”!

Ingrid Guimaraes

Sempre sonhei em ser mãe e poder amamentar. Fiz curso de amamentação com o pouco tempo que me restou de uma gravidez onde como todo mundo sabe trabalhei muito. Li muito e conversei com várias pessoas sobre amamentação. Quando Clara nasceu tive total apoio do pediatra e das enfermeiras da Casa de Saúde São José para amamentar. Mesmo estando informada nos primeiros dias passei pelo que milhares de mães passam: meu seio empedrou, o bico rachou e minha filha começou a perder peso. Como mãde primeira viagem  fiquei bem nervosa com a possibilidade de não poder alimentar minha filha ou ter que dar mamadeira logo na primeira semana. A responsabilidade de você ser o alimento é enorme o que se mistura com culpa materna, o medo dos primeiros dias de maternidade e a dor que a gente sente nas massagens nos seios. Fora que amamentar tem muito a ver com o emocional e a nossa ansiedade passa pro bebê.
O pior é que não adianta nada alguém te dizer : “Não fica nervosa que o leite seca”, ‘Sua filha está sentindo tudo”. São frases que só fazem aumentar o nosso nervosismo. Sempre achei as campanhas de amamentação lindas, essenciais e românticas. Mas a imagens das atrizes amamentando com uma cara de paz não condiziam  com aquele momento caótico que eu estava vivendo. E dá lhe opiniões de todo mundo: “ Bota compressa quente”, “Bota compressa gelada”, “Faz massagem”, “ Vai pro chuveiro e passa um pente no peito”, e por aí vai.
Orientada pelo meu pediatra procurei uma especialista em amamentação que foi até minha casa e não só me acalmou psicologicamente como me ensinou técnicas de massagem para desempedrar o peito, tirar um pouco do leite pra que ficasse mais fácil pro bebê mamar, e quando ela não conseguia dava um pouco no copinho que é como muitas vezes  os bebês pré maturos se alimentam. Assim o bebê mata a fome inicial até que o peito volte ao normal. (coisa mais bonitinha o bebê tomando leite no copinho!). Depois de alguns encontros, compressas e massagens diárias foram me acalmando. Entrando na internet descobri que muitas mães passam por isto e que com calma e informação tudo se resolve. Quando o peito empedra é normal o bico rachar porque o bebê acaba pegando mal no seu seio. Nada que uma boa pomada de lanolina (e às vezes até o bico de silicone) não ajude a resolver. Mas que dói, dói, mas o seu bico se acostuma.
No auge do desespero achei que não conseguiria e acho que deve ser fácil desistir, afinal é um momento muito frágil da nossa vida e é insuportável ver o seu filho berrando de fome. Imagino que muitas mulheres passam por isto e talvez um relato como este sirva de incentivo. Acho que devemos falar sobre isto umas com as outras porque acho que a informação e o relato pessoal desglamouriza um pouco este mundo cor de rosa da maternidade e prepara as mulheres que por um motivo ou outro venham a ter dificuldades de amamentar.
Resolvi falar sobre isto porque saiu na imprensa uma notícia dizendo que contratei uma ama de leite pra amamentar minha filha. Tenho o maior respeito (agora mais ainda) e admiração pelas amas de leite, mas insisti em amamentar no meu peito e não julgo quem desistiu ou não conseguiu. Não costumo desmentir notícias irresponsáveis de um certo tipo de imprensa, mas amamentar é coisa séria e eu sei que de certa maneira acabo sendo um exemplo pras outras mulheres.
Pretendo amamentar até quando der, vou voltar a trabalhar em dezembro e parar pra amamentar de três em 3 horas como venho fazendo. Vale a pena, e é um encontro inesquecível entre você e o bebê. Cheguei à conclusão que tudo que é realmente bom na vida é difícil, mas vale a pena.
Amamentar pra mim não foi tão fácil como eu imaginava, mas eu insisti e hoje amamento oito vezes por dia e minha filhota já ganhou o peso que perdeu!!!!!
Amo amamentar, acho que são os melhores momentos do meu dia!

Aí vai o endereço de pessoas que orientam o aleitamento materno


Para quem quiser tirar dúvidas e ter mais informações:

Amigas do Peito:

Reuniões: na primeira sexta-feira de cada mês na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134, Botafogo), às 10h; às 14h da última sexta-feira do mês no Solar Grand Jean Montigny na PUC-Rio (Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea); no terceiro sábado do mês na Biblioteca Infantil (Campo de São Bento, em Icaraí, Niterói), às 9h; e na Igreja dos Capuchinhos (Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca) na segunda e na quarta terça-feira do mês, às 14h . www.amigasdopeito.com.br

Instituto Fernandes Figueira (IFF):
O hospital fica na Av. Rui Barbosa, 716, no Flamengo – telefone(21) 2553-6730. O Banco de Leite possui um telefone para ligações gratuitas: SOS Amamentação 0800-268877.

Hospitais Amigos da Criança no Rio de Janeiro:

Maternidade Leila Diniz (Estrada de Curicica, 2000 – Jacarepaguá – tel.: 21 2445-2264);

Hospital Maternidade Praça XV (Praça XV de Novembro, 4, fundos – Centro – tel.: 21 2507-6001);

Hospital Pedro Ernesto (Av. 28 de Setembro, 87 – Vila Isabel – tel.: 21 …;

Hospital Maternidade Nova Friburgo (Av. Antonio F. Moreira, 12 – Centro, Nova Friburgo – tel.: 22 2522-9345);

Hospital Carmela Dutra (Rua Aquidabã, 1037 – Lins de Vasconcelos – tel.: 21 2269-5446);

Hospital Central do Exército (R. Francisco Manuel, 126 – Triagem);

Associação Pró-Matre Rio (Av. Venezuela, 153 – Caju, tel.:21 ..).

Agora tenho que correr pra amamentar

Beijos com cheiro de leite

Ingrid

depoimento retirado deste link: http://bloglog.globo.com/ingridguimaraes/#

e deste:

 http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1350632-9798,00-SEMPRE+SONHEI+EM+SER+MAE+E+PODER+AMAMENTAR+DIZ+INGRID+GUIMARAES.html
 

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Amamentando a Sofia

Este mês completamos 6 meses de vida.Sim, eu e minha filha completamos juntas 6 meses de vida, pois assim que ela nasceu, nasceu também uma nova mulher, uma nova mãe, uma nova pessoa.

Inserida eu estava num mundo cheio de Leite Artificial, cesárias eletivas, muito açucar e fast-food, lutei pra reverter o quadro, me transformei numa vegetariana saudável,busquei um parto normal e me mantive tranquila pra amamentar meu segundo filho, sem leite artificial e aqui estamos.

 Amamentar é sim um ato de amor!
Eu fiz sim um relato de parto da Sofia, por ter vivido o maravilhoso desafio da VIDA, o de parir naturalmente, mas nada se compara com os 203 dias hoje 10 de julho dia esse que a Sofia chega nos seis meses de idade, alimentada única e exclusivamente pelo leitinho da mamãe. Sim, leite do peito somente! Quanta alegria. Sofia chegou dia 10 de janeiro às 20:26h, após 8 h e meia de trabalho de parto. Meu leite desceu rapidamente, tiive fissuras, rachaduras, doeu alguns dias e passou. Ela acertou a pega num piscar de olhos desde a sua primeira mamada. Estava tão certa e tão convicta de que amamentaria e muito que tudo deu certo. Assim ela foi espaçando os horários das mamadas de 2 em 2 horas para 3 e agora 4 horas. Ela mamava muito a noite, chupeitava muito durante o dia, dorme somente no peito e isso só nos fez bem.
Teve um único momento que achei que não iria conseguir amamentá-la e que meu leite iria sumir, nos seus dois meses de vida, quando passei por um momento terrível de tristeza, mas isso só fez mais forte pra continuar.
A única coisa que me chateava eram as críticas, você ainda amamenta? Dá NAN pra ela, logo ela vai ter dentes você não vai aguentar. Você precisa dormir de madrugada, coloca ela no berço.
Se a gente amamenta somos criticadas, se não amamentamos somos criticadas também, ou seja, palpites pra todos os lados. Mas o fato é que resistimos bravamente e chegamos até aqui sem a introdução de chás, sucos, água ou qualquer outro complemento. VIVA…
Uma vez eu li num blog, que as pessoas no fundo, invejam essa relação maravilhosa entre o bebê e a mãe, relação impenetrável para quem está de fora, até mesmo para os pais, e é verdade.

Assim, damos continuidade ao aleitamento, sem intenção de parar…

 O que é natural é sempre mais saudável.

 Marilyn Mamãe do Kauê (13 anos) e da Sofia (6 meses, que comeu a primeira papinha e não gostou nadica)

 

Perola

Eu sou apaixonada pelo tema “aleitamento”. Na faculdade ( Psicologia) meu trabalho de conclusão de curso foi sobre o aleitamento e o vínculo mãe-bebê. Exercer a maternagem para mim, sempre incluiu a amamentação, mas a primeira amamentação foi muito difícil, começando na gravidez. Eu sou portadora de um adenoma benigno (tumor) de hipóse que secreta prolactina e isso exige que eu tome medicamentos (exceto na gravidez e no aleitamento) que impedem a produção de prolactina,  hormõnio importante na amamentação. Quando, ainda grávida, questionei a endócrino que me atendia na época sobre a amamentação, ela me falou por telefone que eu não poderia amamentar. Naquele momento, meu mundo caiu. Lembro de ter chorado horrores, de ter ficado muito triste. Eu até sonhava que estava amamentando.Inconformada, fui atrás de uma segunda opinião e recebi um “diagnóstico” de que poderia amamentar por 6 meses caso estivesse tudo bem. Então amamentaria por 1 mês, faria a ressonância magnética para saber do tumor e saberia se poderia continuar ou não.Hoje penso o quanto cruel foi esse processo, pois imagina se eu tivesse que desmamar um bebê de 1 mês de vida. Que triste e difícil seria para mim e para ele.

Quando meu filho nasceu, tive muitas dificuldades por um cesárea mal indicada e sofri com muitas dores pela cirurgia. Sem que eu soubesse a maternidade alimentou meu filho com NAN. Esses dois fatores dificultaram muito o comecinho, as primeiras mamadas. Eu tinha muito leite e ele tinha dificuldades para pegar o seio. Eu fazia muitas compressas geladas na maternidade para aliviar. Ninguém nuca me falou em ordenha, em bombinha de tirar leite, nada.Um outro fator dificultador foi a gama de orientações diversificadas que recebi na maternidade, cada enfermeira dizia uma coisa e eu me sentia muito insegura.Achava que eu tinha que saber amamentar, e achava que eu tinha algum problema por não conseguir.
Quando ele pegou foi uma maravilha pra ele…rs, pra mim foi uma tortura porque doía muito, muito mesmo. Toda vez que ele queria mamar, eu pensava: esse menino vai mamar de novo, ai meu Deus! E junto com a recuperação da cesárea, as primeiras semanas foram difíceis demais. Tinha que prepar uma cadeira, o sofá, sentar direito, não consegui simplesmente sentar e amamentar. Usei muito a pomada de lanolina e meu seio não rachou. A orientação mais assertiva que recebi, mas pouco eficiente, foi de um pediatra que disse que dali em diante eu “era nada mais que um seio’ e que deveria me preocupar só em amamentar.

Fiz a ressonância e o tumor tinha regredido. Poderia amamentar por 6 meses. Foi  muita alegria!

Doía muito, mas eu persisti e nem cogitei dar leite artificial para ele. Nem chupeta. Após essa fase resistimos e amamentar foi delicioso. Exclusivamente, consegui por 4 meses. Ele sempre mamava em livre demanda.A pediatra da época orientou introdução de alimentos com 4 meses e do NAN e assim seguimos, pois eu deveria parar de amamentar com 6 meses para retornar à medicação para controle do tumor. Amamentei até os 7 meses quando voltei a tomar a medicação. Na época me senti realizada, mas sempre com um sentimento de que gostaria de ter seguido adiante por mais tempo. A interrupção do aleitamento foi muito difícil para nós dois. Ele não aceitava a mamadeira, compramos de todos os tipos, muitos bicos, eu ficava apavorada com a idéia dele não se alimentar. Lembro que ele teve que ir ao berçário com 5 meses e ficou muito doentinho várias vezes, hoje avalio que juntou a interrupção do aleitamento com a entrada no berçário e ainda introdução do leite vaca, isso só podia gerar processos inflamatórios.
Sempre me sinto muito culpada por tudo isso, mas lembro que com as informações que eu tinha na época, fiz o melhor que eu pude.

E olha que eu pesquisei muito, mas a internet tb tem muita (des)informação. Precisamos encontrar informação de qualidade!

Nessa segunda gestação, calejada da cesárea desnecessária e do aleitamento interrompido, fui atrás de muita informação, lendo tudo o que eu podia, conversando com todas as pessoas e sempre achando que eu poderia aprender mais.

Consegui um parto normal humanizado e isso incluiu um pediatra humanizado no “pacote” que impediu intervenções desnecessárias após o nascimento da minha filha e que logo que nasceu veio para o meu peito e mamou por quase meia hora.
Nunca tivemos problemas no aleitamento. Sem grandes dores, em livre demanda. Muito leite!

Conheci uma materna com um “problema” similar de adenoma e que já amamentava por 9 meses. Conversei muito com ela e fui acreditando que eu não era uma ‘bomba-relógio” do aleitamento. Comecei a ler tudo, busquei muita, muita informação mesmo. Escrevi e-mail para associações, grupos, médicos, neurologistas…E sempre recebia informação de que poderia amamentar. Fiz o mesmo processo com a endócrino: ressonância e consulta. Dessa vez o tumor havia aumentado 3mm e, por telefone, a endócriono orientou (baseada em sei lá o que) que eu desmamasse a Bia com 4 meses. Ela ia completar 2 na época. Pediu que eu falasse com o pediatra para orientar o desmame.

Nem esbocei reação no telefone, concordei, desliguei o telefone e dei risada. Não ia desmamar de jeito nenhum.

Consultei uma médica antroposófica e comecei um tratamento.

Dali em diante, não tivemos nenhum problema com o aleitamento. A pega foi tranquila, as mamadas em livre demanda.

O pediatra verdadeiramente a favor do aleitamento, na primeira consulta, a primeira pergunta foi “Qual sua expectativa com a amamentação?”, já se notava a diferença. Ele explicava as famosas “curvas de crescimento”, analisou a pega,olhava o estado geral da bebê e sempre, sempre disponível a conversar, tirar as dúvidas e oferecer suporte. Acima de tudo, nunca duvidando da minha capacidade de nutrir a minha filha com meu leite.

Agora, 6 meses de aleitamento exclusivo, refiz a ressonância e o tumor regrediu 2mm!!!

Fiquei muito feliz! Lembro da médica antroposófica falando: ”não amamentar pode ser mais nocivo do que amamentar”.

A pequena está iniciando agora a introdução alimentar, de forma gradual e saudável. Está super bem e tranquila.

Assim como eu. Percebo novas formas de vínculo entre a gente, da relação dela com a amamentação, e é tão gostoso.

Mas ainda sinto os olhos encherem de lágrimas quando penso no que podia ter vivido com meu filhote mais velho.

Fundamental nesse momento foi encontrar ajuda qualificada. Digo qualificada, pois no mundo virtual encontramos muita coisa, mas muita coisa que deve ser filtrada, ler e conhecer as cartilhas de amamentação, ter encontrado o Grupo de Apoio à Amamentação MATRICE, ter ido à reunião da matrice, à encontros sobre introdução alimentar, ter lido os livros do Dr. Gonzáles foi muito importante, entender e conhecer as recomendações da OMS, conhecer os bancos de leite. Informações qualificadas ajudam, especialmente as que fogem do jargão “chorou, tá com fome, dá leite artificial”…

Estar fortalecida em minhas convicções e saberes auxilia muitol, pois consigo contra-argumentar com as pessoas que acham que devemos introduzir leite artificial precocemente, que acham que bebê tem que comer com 4 meses, que acham que mamadeira não faz mal, que chupeta não faz mal…

Informação de qualidade e espaços de troca de conhecimento são fundamentais aliados à um pediatra especialista em aleitamento.

Eu penso que a grande maioria das mulheres está “refém” de pediatras que não acreditam no aleitamento e que são mal orientadas, isso somado à pressão familiar pela mamadeira e pela chupeta resultam em casos e casos de desmame precoce.

Grupos virtuais e presenciais como a MATRICE por exemplo são fundamentais. Ações dos bancos de leite, de consultores em aleitamento.

Infelizmente as maternidades particulares já receitam leite artificial no berçário como protocolo, possuem enfermeiras pouco qualificadas. Vivemos um momento onde a mulher no Brasil assume como sua, uma incapacidade construída socialmente e culturalmente, de parir, de nutrir seu filho e vem introjetando isso cada vez mais e se rendendo cada vez mais aos partos cirurgicos e aos leites artificiais. Hoje em dia quem tem parto normal e amamenta é diferente, é natureba e por aí vai.

Toda mulher precisa se empoderar e abraçar seu potencial natural como mãe, especialmente para amamentar, pois é um momento muito delicado, após o parto estamos com os hormônios a todo vapor, nos sentimos vulneráveis, inseguras. Se o ambiente externo (família e médicos) não favorecer, a mulher acaba cedendo, mesmo sabendo que não é o melhor.

A lista MATRICE é meu porto seguro na amamentação. É onde eu encontro debates de qualidade, ajuda, ombro, puxões de orelha, orientação. Tive três inícios de mastite e a lista juntamente com o pediatra foram fundamentais para minha melhora.

Parte, imensa, de minhas conquistas se deve a essa maravilhosa rede de mulheres empoderadas e “sabidas” que se ajudam, cooperam e trocam informações.
Acabei de me inscrever num curso do GAMA para manejo do aleitamento e quero aprender mais para ajudar mais.

Muitas mães que ainda estão imersas na matrix me ligam pedindo orientação e isso é muito bacana, pois se eu puder ajudar mais um bebezinho a mamar mais um pouquinho que seja, isso me deixa feliz.

Quero investir profissionalmente nas possibilidades de prestar serviços que auxiliem bebês a terem essa oportunidade que me foi negada com meu primeiro filho e que hoje vivo com tanta alegria, tanto amor com minha filhota.

Obrigada ao meu marido querido, ao meu filho, à minha pequena que me ensinam, me motivam…
Obrigada à Matrice, à Materna e a todas as mulheres empoderadas dessas listas sempre dispostas a ajudar e acreditam na capacidade que temos de nutir nossos filhos.

Obrigada meu Pai por me fortalecer!

Gabriel Aniver 060

AMAMENTAR: UMA TROCA ENTRE MÃE E FILHO! por Rosangela mãe do Gabriel

Vou contar um pouco da historia, da minha linda historia de amamentar.

O Gabriel nasceu de PNH de 42 semanas e 3 dias em um trabalho de parto de 7 horas de pouca dor e mais prazer, com 2.995kg e 47 cm. uma criança saudável e linda!!!

Sofri nas primeiras mamadas, a decida do leite foi bem dolorida durante 24 horas (foi pior que a dor do parto, mesmo!), graças a Deus que tinha o apoio de meu marido e as orientações do pediatra do Gabriel, o Cacá, que me orientou sobre pega, posições de mamadas, ordenha, etc.

Meu peito transbordava de leite, tinha que fazer tipóia para amamentar nos primeiros 10 dias, os problemas que surgiram no início foram bem resolvidos, pois tinha um bom profissional me orientando.

Logo comecei a freqüentar as reuniões da Matrice, conheci a Fabíola, Analy e Ana B., pessoas que me abriram os olhos em vários aspectos sobre ser mãe, amamentar e se doar, porque para mim hoje a amamentação e uma doação da mãe para seus filhos em diversos aspectos.

Freqüentando as reuniões todas as sextas-feiras (no início) e ouvindo os depoimentos das mães, alguns problemas que eu possa ter tido de amamentação foram facilmente superados, já que eu tinha as informações de vivência, alguns passaram despercebidos, hoje me lembro deles quando escuto algum relato, e tento ajudar como me ajudaram.

O Gabriel sempre mamou bastante, livre demanda mesmo, peito a toda hora, superei o meu cansaço emocional e físico dos primeiros meses, depois as coisas foram se ajustando naturalmente.
Aos 6 meses, na expectativa de introduzi os alimentos, comecei com as técnicas para introdução, ele cuspia tudo, a praia do Gabriel era outra, não queria saber de papinhas salgadas, papinhas doces, frutinhas raspadinhas, suquinhos, etc. nada, nem água. Essas tentativas de introduzir alimentos duraram bastante (4 meses), todas as técnicas possíveis e indicadas. nada, nada, mais como ele mamava bastante e não estava perdendo peso e sua linha de crescimento estava normal, fiquei tranqüila, sempre confiando nele, tinha certeza que ele iria saber a hora certa de comer.

Mais como toda mãe, chega uma hora que já ta demais, com 1 ano e nada de querer comer. Meu Deus preciso de ajuda!!!! rsrsrsrs, e veio…

Em uma das reuniões da Matrice, tinha como convidada a Dra. Fernanda (odonto-pediatra especialista em oclusão). Ela contou sobre uma das suas experiências em uma aldeia indígena, onde a introdução de alimentos nos bebês e uma coisa natural, a mãe oferece com a mão o alimento (frutas, raízes, folhas, etc.) e quando o bebê esta preparado para comer ele mesmo pega com a mão e leva para a boca, sem extress, sem papinhas, sem ansiedade, uma coisa natural.

Nossa, foi a salvação, precisava ouvir isso. Sai da reunião bem mais tranqüila, já tinha uma nova técnica para introduzir alimentos para o Gabriel, depois de 2 meses ele se interessou em pegar um pedaço de maça da mão da Elisa (filha da Heathe), comeu tudo, em plena reunião da Matrice, fiquei muito feliz… Assim dava início à introdução de alimentos do Gabriel, ele passou a comer frutas em pedaços, a comida normal do dia-dia, tomar água, sucos, etc. Tudo na sua proporção, na sua vontade, no seu tempo. Hoje ele como de tudo, até o que não deve.

O caso do Gabriel mamar exclusivo até os seus 1 e 3 meses, foi a história dele, natural sem imposições ou medos. Com ele deu certo, não teve nenhum problema de peso, ou crescimento, estava bem acompanhado pelo seu pediatra que respeitou o momento dele, graças a Deus sem seqüelas e com bastante leite.

Apesar de estar Gestante de 40 semanas e 5 dias, o Gabriel nunca deixou de mamar, e como mama.

Há! Para as avós, tios e curiosos, eu tinha como desculpa, as frases: Ele já comeu em casa, ele já comeu na casa da avó materna, paterna, na casa da tia… rsrsrs. Enrolava todo mundo.

Amamentar é um momento de troca de mãe para filho, é doação, namoro, entrega, superação de obstáculos, amor e entrega.

 

DEPOIMENTO DE UMA MÃE NO DIA DAS MÃES! 

Kristal depoirmento

Antes de engravidar eu achava que o tempo suficiente para a amamentação eram 6 meses e que depois disso o bebê já não precisava mais do meu leite.Na verdade, isso não fazia parte do meu círculo de convivência. O normal era complementar com NAN, ou leite de soja. O normal era a mãe não ter leite “suficiente”, era não deixar o bebê no peito para que ele não ficasse mal acostumado.  Vendo tudo isso hoje me dá vontade até de rir dessa Kristal de algum tempo atrás.

Me preparei para um parto normal e achava que a amamentação seria fácil, afinal, que mistério teria? Era só colocar o bebê no peito e pronto. Esse pensamento caiu por terra na primeira semana de vida do Marco, quando na descida do leite o meu seio ficou empedrado e duro, parecia que eu tinha colocado uns 500 ml de silicone. Depois disso, os meus bicos racharam. Eu chorava para amamentar, gritava de tanta dor. Falei com o Cacá por telefone e ele sugeriu que a consulta de 1 mês de vida fosse antecipada para logo, assim poderíamos conversar melhor. Nessa primeira consulta o Marco tinha 15 dias, havia engordado 300 gr e crescido 1 cm desde a saída da maternidade. Isso me deixou feliz, pois mesmo com tanto sofrimento eu estava conseguindo amamentar o meu filho. O Cacá viu as minhas fissuras, meu desespero e medo em dar de mamar e sugeriu que eu desse um descanso de 2 dias aos seios, nesse tempo eu deveria tirar leite com a bombinha e oferecer em um copinho. Voltaríamos em poucos dias para ele ver como estavam as coisas. Bom, foi aí que vi que o psicológico conta muito na amamentação e que como havia me dito a Gisele do Enzo, o leite está mais na cabeça da gente do que no seio. Mesmo com o peito cheio, saiam apenas poucas gotas de leite, com muito esforço eu conseguia uns 20 ml. Eu ficava várias vezes por dia tentando tirar leite, mas acabei tendo que comprar 1 lata de aptamil para complementar. O Fernando estava de férias me ajudando em casa com o bbzico e a tarefa de dar o complemento era dele. Eu chorava cada vez que via ele dando aquela chuquinha de Aptamil, eu me achava incompetente, incapaz de alimentar o meu próprio filho que era tão pequeno e já estava com aquele bico de borracha na boca, tomando um leite artificial.

Falei com o Cacá diversas vezes e em uma delas quando eu estava chorando no telefone e dizendo que não agüentava mais ele me indicou a fono Andrea que veio até a minha casa ver a pega do bebê e ensinar diversas formas e posições para amamentar. Ela viu que a pega do Marco estava correta, o que me machucou foram as mamadas que eram muito freqüentes + a voracidade na sucção do bebê, a Andrea me disse também que eu tentasse ordenhar um pouco de leite antes das mamadas pois com o seio muito duro era mais fácil ferir o bico. Com as palavras do Cacá e as visitas da Andrea fiquei mais tranqüila.

Eu usava no peito: lansinoh + concha de silicone + absorventes (pois várias vezes vazava leite) saia de casa com um verdadeiro arsenal de emergência.

Bom, quando estava acabando a segunda lata de Aptamil, o Fernando me perguntou se compraríamos mais uma. Foi um dilema pra mim, eu sabia que se não desse um basta, nunca mais pararia de dar LA e o meu sonho de amamentar exclusivamente não iria acontecer. O Marco estava com pouco mais de 1 mês, aí resolvi que aquela seria a hora de dar um basta naquilo. Eu era capaz e iria conseguir amamentar o meu filho sim!

Devido ao uso do LA a minha produção de leite diminuiu, por esse motivo eu ficava com o Marco literalmente pendurado no peito o dia todo, bebia muita água, mal dava tempo de almoçar, mas eu enfiei na minha cabeça que ele se alimentaria somente do meu leite. Não foi fácil, ouvi de muita gente que eu estava mal acostumando o Marco, pois ele só ficava no colo, que todo aquele esforço não valia a pena, que meu leite era fraco por isso ele queria mamar a todo momento e até mesmo que o pediatra era louco por não fazer “nada”,  tipo receitar LA. Mal sabiam que esse nada era o que eu mais queria, era umas das coisas que mais me apoiava. Com ele, eu não me sentia sozinha, assim como com o apoio do Fê e da minha mãe e irmã que estiveram sempre ao meu lado durante todo esse tempo.

Chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, passamos pela introdução de alimentos e voltei a trabalhar logo depois que ele fez 1 ano, fiquei apreensiva com medo do desmame, mas esse medo logo passou. A primeira coisa que ele faz quando chegamos em casa é mamar nos dois peitos, com vontade. Isso me deixa tão feliz que dá até vontade de chorar, ele fica me olhando com aqueles olhinhos chapadinhos de leite, me fazendo carinho, passando a mão no meu rosto. É como se o mundo parasse naquele momento e estivéssemos só nós dois ali entregues um ao outro.

Hoje, 10/05/2009 o Marco faz 1 ano e 2 meses junto com o dia das mães  e eu me sinto vitoriosa por ter conseguido superar tantos problemas, palpites etc. Esse é o meu maior presente. Ainda amamento, com muito prazer a minha criancinha que já come de tudo, está cheio de dentes, mas não nega o tetêzinho por nada nesse mundo. E continuaremos assim até quando for legal pra ele e pra mim também.

Agradecimentos:

- Ao Cacá que sempre me apoiou muito em todos os momentos;

- Meninas do grupo Matrice que me ajudaram muito enviando mensagens, esclarecendo dúvidas e me entendendo e dando ombro amigo. Não consegui ir em encontro pessoalmente, mas a ajuda virtual foi de grande valia.

- A minha mãe que sempre disse que a fase ruim dos machucados e fissuras ia passar, eu achava que ela dizia para me agradar, mas não é que passou mesmo?

- A Kari, minha irmã, que quase chorava comigo quando eu amamentava e me fazia carinho.

- Ao Fê, que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, obrigada pela paciência e por estar ao meu lado sem desistir também.

 

 

 BERNARDO, NINA, EU  E “O PEITO”

 

   Meu nome é Fernanda, tenho 34 anos,. Quando engravidei tinha 29 e se alguém me perguntasse se eu iria amamentar, eu dizia que de jeito nenhum. Assim era meu pensamento antes mesmo de me imaginar mãe. Mas por que isso de nem pensar? Eu achava que deveria ser um saco ter um bebe literalmente pendurado te sugando. Provavelmente Freud teria alguma explicação mais complexa,…mas para mim era apenas isso.

   Quando Bernardo chegou, minha idéia já havia mudado sei lá quando,…simplesmente sumiu…. e eu comecei a odisséia da amamentação achando que tudo seria perfeito!!!! Então começaram os probleminhas que eu acho hoje em dia pequenos e normais, mas para quem está passando e não tem um grupo de apoio ou alguma amiga como  boa referencia,….se perde totalmente. Meu bico do peito esquerdo rachou, pra falar a verdade nem sei se aquilo era rachadura , parecia estar ralado no bico,…doía bastante e melhorou usando uma capinha de silicone que parecia um chapéu mexicano. Em casa usava um coador em cada peito pra não grudar na roupa, cortei o coador e usava debaixo do sutiã pois era arejado a concha é fechada e não ia melhorar. Tirando as dores logo nos primeiros 15 dias que eu sentia do meu útero  voltando pro lugar, tive empedramento logo depois da apojadura (quando o leite realmente desce).  A maioria que me visitava me falava para ir para o chuveiro deixar cair bastante água quente. E eu graças a minha curiosidade já havia me informado e freqüentava um grupo de aleitamento no Rio de Janeiro conhecido como Amigas do Peito. Eu sabia que quando empedrasse eu tinha que colocar gelo debaixo das axilas para diminuir um pouco a produção de leite e dar o peito pro Bernardo mamar. Se eu fosse pra água quente como várias me falaram,…iria ter piorado bem a minha situação. Passado o primeiro mês que foi o mais complicado,…ficamos ótimos. Bernardo mamava muito durante o dia. Tinha refluxo e golfava bastante. Então mamava quase de hora em hora. E a noite nunca fez mais de 3 horas!!!! E eu AMAVA dar mamá pra ele. Eu dava mamá e depois tirava leite pra doar ao Instituto Fernandes Figueiras (Banco de aleitamento do Estado do Rio), doei até Bernardo completar 1 ano e 4 meses. Ele foi até 6 meses só no peito. Depois introduzimos o suquinho, depois as frutinhas, depois a papinha salgada,….e então eu tive um princípio de mastite com febre de 40 graus (resolvida com massagem,e Bernardo mamando no peito onde o ducto estava entupido) . Ele completou 1 ano mamando. Na minha cabeça ele iria chegar até 2 anos. Quando completou  1 ano e 3 meses, um belo dia a noite resolveu não querer mais mamar. Eram umas 21 horas, e ele não quis mesmo. Comecei a chorar e liguei para Marília (mãe de uma amiga que ficou comigo nos 5 primeiros meses e que me apoiou muito quando eu dizia nos primeiros 15 dias que não ia agüentar, que estava sentindo muita dor) e falei: Maríliaaaaa, ele não quer mais mamárrrrrr  ,……. e ela me consolou dizendo que ele estava maduro, que foi bom porque ele que resolveu parar, eu não precisei desmamá-lo, que o que eu estava sentindo era normal,….que eu ficasse feliz pela nova etapa dele. E foi assim. Depois de 15 dias ele pediu o peito, mamou mais uma vez e foi a nossa despedida!!!!

 

 Dois anos e um mês depois chegou a Nina. Estava no meio de uma mudança do Rio para SP. Ela nasceu lá e junto com sua chegada chegaram enormes transformações na vida de todos da família. Meu marido já estava em SP, meu filho ganhava uma irmã, eu tinha que administrar isso e escolher escola nova  para o Bernardo, apartamento, empresa de mudança,…tudo sozinha, pois não tenho família por perto pra me ajudar. Entrei em uma leve depressãozinha que chamam de blues. Fui pra terapeuta que fez um trabalho com o Bernardo de preparo pra chegada da Nina e ela me ajudou bastante. Quando ela estava com 8 meses, ficamos em harmonia. Amamenetei a Nina exclusivamente só no peito até 6 meses, (doei leite até os 4 meses dela, depois vim pra SP e não doei mais ). No início achei que fosse ser mais fácil por ser o segundo e foi até mais complicado, empedrava a toa,…..mas conseguimos chegar até 1 ano e 7 meses. Nina também mamava de 3 em 3 horas. A noite acordava meia noite, 3, 5,… e mesmo jantando isso acontecia, e eu estava sempre ali, com amor. Quando vim para SP, conheci a Analy através do site dela de sling, e minhas dúvidas com a Nina em relação a amamentação era com ela que falava. Viajei e não falei com a Analy antes,…talvez se tivesse falado teria amamentado mais tempo a Nina. Viajei 1 semana e deixei os dois com a minha mãe. Nem me toquei que iria desmamá-la. Os sete dias passaram voando, e todos estavam bem. Quando cheguei matamos a saudade. Ela mamou só mais uma ou duas vezes,…e não queria mais de jeito nenhum,….eu liguei pra Analy,…e ela me falou: Você desmamou ela!!!!! Pois é fiz isso sem saber,…tentei algumas vezes oferecer “o petchô “, mas as caretas eram muitas. Então desisti.

Agora pretendo engravidar no ano que vem e bater o record da Nina de 1 ano e 7 meses.

O que aprendi no grupo e observando é que amamentar não é pra qualquer uma. Acho que é coisa de “mulher-macho”. Tem que ter vontade, amor, paciência, e um grande apoio de alguém. Basta uma pessoa que te diga : VOCÊ VAI CONSEGUIR SIM. SEU FILHO PRECISA MAMAR. ELE PRECISA DE SEGURANÇA, ELE PRECISA DE ANTICORPOS, ELE VAI SER MAIS SEGURO E SAUDÁVEL,….VAMOS LÁ, VOCÊ CONSEGUE SE QUISER,…. e pronto, você vai indo, vai se tornando um peito,… passando pelas dificuldades e vai vendo também que existem outras como você. Existem mães que trabalham e que tiram leite do peito pra deixar pro bebe mamar,…e tiram leite no trabalho também,…

   Mas a grande maioria que me cerca não foram machas o suficiente. Achavam que o bebe estava com fome,…que o leite não era suficiente,…e toma-lhe complemento (que para o bebe, cai como uma feijoada, ficam entupidos e doooooooooormem que é uma beleza!!!) Ai eu escutava:  Ahhhh, eu SÓ dou complemento a noite,….daí consigo dormir um pouquinho,….ou então : Ela mamava e depois que acabava de mamar ficava resmungando, chorando,…daí eu dava mais 100 ml de complemento e pronto, ela ficava bem,…então tá né? Fazer o que???  É mais fácil acreditar nas desculpas do que encarar e assumir: Eu não quero acordar a noite,…eu não agüento ouvir chorando, será que não está chorando por outra coisa sem ser fome???  

    Passei um monte de coisas complicadas da segunda vez,…e meu leite também não secou,……mas isso é de cada uma,…mulher macho ou não,….cada uma tem sua história pra contar. Mas não esqueçam de procurar um grupo pra te apoiar neste momento tão gostoso e bonito,…dar mama com seu filhote te olhando dentro dos seus olhos e te fazendo carinho,…não tem preço!!!!

Um abraço e muito leite pra vocês.

Fernanda

ILUSÕES DE UMA MÃE DE 2ª. VIAGEM

 

O João Pedro já está com 7 meses e hoje por um breve momento me admirei de aprender muito com esse pequenino gordinho. Agradeço a ele por me ajudar a crescer como pessoa e, principalmente, como mãe.

 Quando a Ana Clara nasceu fui em um pediatra que a única coisa boa que me disse foi: “Se chorar, peito”. Acho que essa frase é muito “a ferro e a fogo”, mas através dela consegui manter a amamentação apesar das dificuldades do início. Repetia-a como se fosse um mantra. Sou uma mãe diferente, tive um parto totalmente diferente e cuidei do João também diferente e uma das coisas para mudar foi essa frase.

 Ao me deparar com as “cólicas” do primeiro trimestre, tomei conhecimento do livro “O Bebê Mais Feliz do Pedaço” e, com isso, descobri que existe um quarto trimestre de gestação, uma exo-gestação. Aprendi a seguir alguns passos (que podem ser adaptados e personalizados) e acalmar meu bebê com mais facilidade. São eles: embrulhar; enfaixando-o bem apertado; colocar de lado ou de bruços (com o João funcionou assim, mas prefiro com a barriguinha no meu ombro); fazer shhhhhhh…… com som de fundo bem alto (essa técnica já conhecia do livro “Soluções para Noites sem Choro” e, atualmente, já abaixei o volume); balançar com movimentos ritmados e sacolejo (para ajudar a coluna, faço uso da bola de parto ou uma rede); e dar qualquer coisa para sugar (é claro, que prefiro e recomendo o peito da mamãe).

 O dr. Harvey Karp, autor do livro “O Bebê Mais Feliz do Pedaço” tem outro livro “The happiest toddler on the block”, ainda não traduzido, mas que é para crianças pequenas que já sabem andar. Sempre senti falta de um livro entre 3º. Mês e 1 ano de idade, mas hoje consegui entender que o método funciona para os momentos de crise. Somos seres que voltam às origens quando estamos em pânico, tristes, fora do prumo e os bebês também. O João está há uma semana e meia muito chato, sem dormir, chorão, grudado (acho que é o 3º. dentinho querendo aparecer ou pode ser alguma alergia alimentar também. Estou analisando) e não queria mamar para dormir de jeito nenhum (confesso que acostumei meus pimpolhos a dormir assim por ser muito tranqüilo e prazeiroso para ambas as partes, mas tem momentos que não funciona) e eu, no desespero, enrolei ele, coloquei no ombro no quarto escuro e fiz o shhhhhhhhhh (meu mantra preferido) e em 2 minutos o gatinho está no mundo dos sonhos.

 Vivendo e aprendendo……

Flávia Gontijo – mãe de Ana Clara e João Pedro e uma das mais novas integrantes da Matrice

 

 

 

 

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 Relato de Amamentação…

 Me preparei a gravidez inteira para o meu parto domiciliar. Lia tudo que passasse na minha frente, no entanto nem pensei no tema amamentação, achei que fosse simples e fácil, que o meu filhote iria para o meu peito, tomaria seu leitinho e tudo ficaria feliz: que engano! Foram 10 dias de UTI, saí do hospital com meu filho, nascido em casa, mas que teve após o parto desconforto respiratório de causa desconhecida.

 Saí do hospital sem orientação nenhuma, e achando que tudo estava resolvido. Meu filho não estava ganhando peso por isso o hospital não queria liberá-lo embora ele estivesse bem. Sua alta foi feita pelo nosso pediatra na época o Cacá. Na primeira noite em casa meu filho chorou a noite toda, de fome provavelmente, pois eu não tive a feliz idéia de levá-lo ao peito! Ficava olhando para ele o tempo inteiro, mas não me dei conta de que ele precisava se alimentar. Após uma noite inteira de choro, ligamos para a avó mais próxima, que sugeriu que déssemos leite artificial para ele. E assim foi feito. Com uma semana de vida, após a maioria das mamadas era oferecido ainda 30ml de leite artificial. Eu simplesmente não acreditava que meu leite era suficiente para ele, mesmo com os peitos cheios.

 Porém, o complemento não foi o único vilão do desastre inicial da minha história de amamentação. Após um mês, não entendia como meus peitos poderiam estar ainda tão machucados e feridos. Não havia nada que os fizesse cicatrizar, nem lansinoh, nem sol, nem casca de mamão e banana, nem secador nada… Eu tentei de tudo. Eu chorava o dia inteiro desconsolada pois não conseguia amamentar sem dor. Sentia fisgadas medonhas durante cada mamada e me lembrava quão melhor tinha sido sensação da dor do parto, perto da dor que eu sentia ao amamentar o meu filho. A cada fim de mamada eu prometia a mim mesma que ia comprar uma mamadeira para ele e desistir de amamentar.

 Quando o Enzo completou 30 dias de vida, o diabinho do complemento ainda rondava a nossa mamada e então decidi: a partir de hoje não dou mais uma gota de leite artificial para ele, nem que meus bicos caiam. E assim foi. Eu amamentava com uma dor maldita, até que ele ficasse satisfeito. O suor escorria pelo meu rosto a cada mamada, cheguei uma vez a desmaiar de dor mas promessa é promessa e desde então nunca mais voltei atrás.

Sentia um vazio enorme, a dor ao amamentar era muito grande. Com ela vinha uma sensação de impotência muito grande, eu achava que não tinha leite, que meu filho estava magro, que eu não era capaz de nutrí-lo com eficiência. Não me passava pela cabeça que eu fui capaz de alimentar o meu filho durante 9 meses na minha barriga, por que não conseguiria agora?

 Vivia o tempo inteiro verificando o estoque de leite nos meus seios. Eu realmente achava que eles precisavam estar sempre pingando de leite, que eles sempre deveriam estar cheios e quando eu os sentia um pouco murchos, eu começava a achar que meu leite ia secar. Tomei vários remédios, vivia fazendo compressas quentes para aumentar uma produção que já era abundante, no entanto eu não me dava conta. Era uma insegurança desmedida.Mas a dor não melhorava nunca e eu cada dia que passava, pensava em desistir.

Após muito conversar com o Cacá, pediatra do Enzo, com as meninas da lista, da Matrice, navegar horas e horas na Internet em busca de uma possível solução, começamos a desconfiar que a pega dele pudesse estar errada e realmente estava. Consultamos uma fonoaudióloga especialista em amamentação que constatou alguns problemas: pega, posição e movimento da língua incorretos. Além disso ela afirmou que ele tinha uma sucção extremamente forte, que aliada a minha pele clara, contribuía ainda mais para machucar os meus seios.

 Comecei então uma série de exercícios para tentar melhorar a pega dele, que realmente começaram a dar resultados positivos, no entanto meu peito nunca cicatrizava. O Enzo completava dois meses, a pega estava bem melhor que no início, no entanto meu seio continuava muito machucado, avermelhado e a dor na mamada era absurda. Em algumas mamadas eu tirava meu leite com uma bomba manual para não ter que oferecer o peito. Eram algumas mamadas de alívio.

 Discutindo com os profissionais que estavam me ajudando, chegamos à conclusão que eu poderia estar com Monilíase mamária, ou candidíase, e comecei então a fazer o tratamento. Começamos com um remédio que eu passava no meu seio e no cantinho da boquinha do Enzo. Uma luz no fim do túnel: a dor começava a diminuir. Como eu fiquei feliz! Porém a minha felicidade durou pouco. Meu seio de uma hora para outra e sem explicação começou a piorar novamente e amamentar voltou a ser um pesadelo.

Novamente no médico, chegamos à conclusão que seria necessário que eu tomasse remédio via oral. Iniciamos então com uma dose baixa. Tomei comprimidos durante 14 dias, passava remédio no seio, na boquinha dele e nada do meu seio melhorar. O Enzo já estava com 3 meses e eu mal conseguia sair de casa, pois começava a chorar só de imaginar ter que amamentar em público e ter que conter a minha dor, fazendo cara de paisagem. Eu sentia dores horríveis. A vontade que eu tinha era de jogá-lo para cima na hora da mamada e eu me sentia muito mal por isso, pois o que eu mais queria era amamentar. Fomos para o último plano: remédio via oral em doses altas. E assim fiz. No começo comecei a ficar desesperada pois não via efeito nenhum e essa era a minha última esperança. Tomei esse remédio por 6 semanas consecutivas e perto do Enzo completar 4 meses comecei a sentir o verdadeiro prazer de amamentar, sem dor, sem medo, sem tensão.

 Quando o Enzo tinha 3 meses, comecei a fazer estoque de leite materno para quando eu voltasse a trabalhar, o que aconteceria dentro de 3 meses. Aos poucos meu freezer estava cheio de leite, o que fazia com que a minha auto-estima aumentasse. Acho que isso ajudou muito a minha melhora.

 No meio dessa corrida toda, eu mostrei meus peitos para tanta gente em busca de uma solução para minha dor. Só não usei como remédio titica de galinha, do resto eu fiz de tudo: vitamina C, sol, complexo vitamínico, banho de luz, secador, pomadas mil, conchas, absorventes, seios amostra, cascas de frutas.

 Meu histórico para uma amamentação bem sucedida era catastrófico: bebê internado 10 dias na UTI, pega completamente errada, a pele do seio bem clara, sucção forte, falta de informação, insegurança, seios machucados, monilíase e embora meu filho ganhasse um peso adequado à curva de crescimento, ele tinha um estereótipo magro e todo mundo que o via, dizia que ele estava magro, sugerindo que meu leite não era suficiente ou era fraco, e quando ele chorava, sempre escutava palpites que era de fome, pois um bebê magro normalmente não parecia estar bem alimentado, uma vez que não era um bebê gordo na visão das pessoas.

 Todo esse sofrimento para amamentar, não foi em vão. Eu sofri a cada mamada mas ao mesmo tempo eu fui muito atrás de informação: lia livros, sites de amamentação, conversava muito com gente que acreditava que da mesma maneira que eu fui capaz de gerar, nutrir e parir, eu seria capaz de amamentar o meu filho exclusivamente. Tudo o que aprendi neste tempo, tento colocar em prática, ajudando mães a ter auto-confiança a amamentar exclusivamente.

 Com 5 meses decidi alugar uma bomba elétrica para aumentar a minha produção e consecutivamente meu estoque no freezer. Com 6 meses voltei a trabalhar. Tiro meu leite no trabalho 2 vezes por dia, deixo na geladeira e transporto para casa no final do dia. Separo o leite em potes menores, coloco no freezer, somando-se ao estoque que já tinha. Mesmo passando no mínimo 12 horas fora de casa, continuo amamentando. Amamento antes de sair, quando volto e ele ainda não está dormindo e ele toma meu leite outras 3 vezes durante o dia enquanto eu estou fora, além de ter uma alimentação variada.

 Hoje sei que tudo o que eu passei talvez eu precisasse passar para então ajudar tantas mães com quem tenho conversado e dividir tudo o que eu aprendi. Hoje sei que amamentar não é fácil, mas que a tranqüilidade é tudo e é fator determinante para o seu sucesso. Hoje sei que meus seios nunca precisariam estar cheios de leite, para que meu filho ficasse satisfeito. Hoje entendi que muitos dos meus sofrimentos foram inúteis e que poderiam ser amenizados com um mínimo de informação sobre a dinâmica do leite.

 Meu filho hoje está com 10 meses, é um bebê saudável e extremamente feliz. Meus peitos hoje não enchem mais, mas eu me sinto extremamente segura de que tenho leite suficiente para deixá-lo satisfeito a cada mamada e que toda a passagem da minha amamentação, só contribuiu para que eu ajude muitas mães que hoje passam pelas mesmas inseguranças que eu passei.

 Gisele, mãe do Enzo,

nascido em 02 de setembro,

de parto domiciliar.

ferreira.gisele@gmail.com

(11) 97414699

 

Amamentar é a verdadeira junção das palavras mamãe e amar.

  

Lua de Leite

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Era um final de tarde do dia 20 de fevereiro de 2007. Você chegou de mãos dadas com os primeiros raios de uma linda Lua crescente. Ainda com o cordão preso ao meu corpo procurou os meus seios em sua tentativa primeira de sobreviver. Bem perto de meu coração, onde hoje és meu pequeno príncipe, aconchegou-se fechou os olhos e adormeceu. Uma vez ou outra abria os olhos e sugava mais um pouquinho para retornar a descansar. Amamentar foi um ato tão instintivo como parir. Desde o começo você mamava muito. Abria a boquinha pegava toda a auréola. Nunca tivemos problemas com rachaduras, dores ou outras dificuldades de qualquer espécie. Trabalhando em casa amamentei você olhando nos olhos, cantando canções de amor. A noite via seus olhos a despedirem-se de mim e habitar o reino dos céus.
Com o tempo você aprendeu a acariciar meu seio enquanto mamava, a ajudar com as mãozinhas para sair mais leite. Descobriu, também, que o seio fazia dormir e passou a brigar com ele na hora do sono. Mas nada disso tirou minha vontade de alimentar você com este líquido precioso que além de nutrientes carrega a essência do meu amor. Seus dentinhos nasceram depois de 6 meses de vida, e eles também já foram experimentados nos seios. Foi um momento de crise, que resolvemos com um pouquinho de dor, paciência e tolerância. Agora voltamos à nossa lua de leite.
Com seis meses e meio a sua primeira doença! Dor de barriga e vômito tiraraam sua cor, o brilho dos seus olhos, toda a sua energia. E os peitos cheios de leite pareciam saber que eram mais do que imprescindíveis neste momento. Não quis comer ou beber. Seu alento era mamar dia e noite. Mesmo cansada, debilitada, bebia litros de água para que você tivesse muito leite para se recuperar.
Agora você está com nove meses e a amamentação segue em livre demanda. A descoberta dos sabores e comidas não fizeram você amar menos mamar. De tempos em tempos preciso ir a São Paulo para trabalhar. Confesso que esta é a parte mais difícil. Tirar leite durante o dia e de madrugada é um esforço que vale a pena. Sei que quando saio meu amor fica para você se alimentar. A amamentação é um exercício de dedicação que vale muito a pena.
Enquanto escrevo estas palavras, você dorme com a boca entreaberta em meus seios. Amo amamentar você como você adora mamar. Que este laço que nos une, este ato de amor permaneça por muito tempo.
Kalu Gonçalves, 28 anos, jornalista; mãe de Miguel Narayan, 20/02/07, nascido de parto domiciliar.

 

[relato enviado em novembro de 2007]

Mãe de quatro, quatro experiências distintas!

Ariel nasceu qdo eu tinha 17 anos. Cesárea eletiva, um baby blues forte depois do parto com 37 semanas. Chorava ele, chorava eu. Tentei dar o peito por um dia e uma noite e ele nem aí. Simplesmente não pegava… Depois de dois dias de muito sofrimento, de ouvir que meu peito não tinha bico, não tinha leite, da minha família me pressionando, comprei duas mamadeiras e uma bombinha manual. Fui tirando leite com ela e pondo na boca do bb que mamava cada dia mais, sempre da mamadeira. Aquilo doía horrores e eu ainda tinha que tirar leite 1 hora antes dele acordar para poder amamentá-lo… Essa tortura durou 1 mês e meio. Depois o leite foi diminuindo e o menino passou a ser alimentado com NAN. Eu fiquei aliviada, pq a pressão e o stress estavam acabando comigo e com o vínculo com o meu filho.

Depois (muito depois – 8 anos) veio a Marina. Bem mais madura e informada, entrei em TP com 39 semanas e depois de ler à exaustão, peguei a menina no colo, sentei dolorida pelos pontos (da cesárea desnecessária enganada), posicionei barriga com barriga, na altura correta, fiz uma prega de pele com o bico e qdo ela abriu a boca… tcharam! Pegou direitinho. Eu tinha lido sobre isso e mentalizei com a respiração mais calma que o choro podia dar, o leite descendo… e não é que desceu mesmo? Ela ainda mamou exclusivamente até os 4 meses e depois (junto com sopas e frutas) até os seis meses, qdo desmamou pq eu infelizmente não soube driblar a mamadeira na minha volta ao trabalho.

Já com a Lívia eu me sentia uma veterana! Sabia que só podia dar certo também! Fiz uma cesárea necessária depois de 39 semanas de gravidez aos 8 cm de dilatação! Resultado? Fui pra recuperação cirúrgica de raqui até o pescoço e em menos de 1 hora colocaram a pequena pra mamar na minha maca… Ui! Bebê grande, esperta, nasceu acordada e com fome! Mamou tanto comigo ali na maca de mal jeito que: primeiro, exfolou o bico do meu peito (eu não tinha acompanhante), segundo: eu tive leite (leite mesmo e não colostro) no dia seguinte no próprio hospital. Peso de nascimento: 3,975kg peso de saída do hospital: 3,890kg! Mamou exclusivamente até 5 meses e 15 dias, qdo eu introduzi alimentação gradualmente. Mamou no peito até 1 ano e seis meses, qdo se desinteressou por conta própria!

Murilo nasceu em casa, meu lindo! Com 3600 e 50 cm! Mamou ainda preso no cordão! Mama até hoje! [N.daR.: 6 meses]

Andrea Fangel, de Indaiatuba-SP, mãe do Ariel, da Marina, da Lívia (cesáreas mais ou menos necessárias) e do Murilo, parto domiciliar.

[relato enviado em julho de 2007]

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Que maravilhoso relato!

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Com grande parte de nossa jornada de parto passada em casa, e após quase nascer na estrada da boiada, T. deu as caras na maternidade, sendo recepcionado ao som do Hannya Shingyo (o Sutra do Sagrado Coração da Sabedoria) pelas mãos da minha querida obstetra. Vazio e forma se confundiram neste momento – Que bela transformação!

Tão logo chegou ao mundo, meu filho encontrou seu recanto preferido – meu peito. Com um rostinho tranqüilo e cheio de sabedoria, aquela figurinha angelical lambeu meu seio, abriu e fechou os olhos, agarrou-se com sua mãozinha ao meu dedo e sentiu a textura e o odor da minha pele – Que delicioso começo de vida!

O pediatra acabara de chegar, mas somente após a cessação do pulso do cordão que nos unia fisicamente é que nossa separação foi consumada. Meu marido cortou o cordão – Que amoroso momento de libertação!

Ainda assim, T. permaneceu mais algum tempo junto de mim. Depois foi brevemente avaliado, pesado e banhado ali na minha presença, e em seguida retornou ao peito. O doce pediatra me orientou sobre uma posição de mamada e delicadamente me ensinou a conduzir o bebê a fazer a pega correta, que foi plenamente aceita pelo pequeno T. – Que grande respeito a dois seres vivos!

[depoimento dado em jul/07]

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“Marina se arrastou em direção aos meus peitos”

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E então a Marina nasceu, num parto rápido e mágico.

Cordão curtinho, eu ajoelhada, a segurei na minha frente e ficamos nos olhando com aquele olhar que só conhece quem teve seu bebê nos braços logo após o parto.

Assim que o cordão parou de pulsar (me pareceu tão rápido), me deitei com ela em cima da minha barriga. E algo mágico aconteceu… ela levantou o pescocinho, me olhou, virou a cabecinha de um lado, de outro e se arrastou em direção aos meus peitos. Eu, na minha pobre ignorância, fiquei muito surpresa. E é claro, achei aquilo bárbaro, maravilhoso. Tão lindo! Espetacular! Aquele bebezinho que tinha acabado de nascer praticamente engatinhando aos seios da mãe. Que instinto!!! E eu, no meu instinto de mãe de atender o desejo do meu bebê, a coloquei no peito e ela mamou lindamente, sabiamente e tranquilamente, durante muito tempo. Sempre me fitando nos olhos com AQUELE olhar indescritível e inesquecível.

Pouco tempo depois é que fui saber que é isso que acontece com o bebê, quando lhe permitem – a ele e à mãe – esse momento de intimidade e reconhecimento, de paz e tranquilidade. Quando permitem que mãe e bebê se (re)conectem. E agradeço por ter tido a oportunidade de passar por essa experiência maravilhosa. E mais uma vez me pergunto “Como é que pode ser diferente?”, “Como é que se permite que seja diferente?”.

[Depoimento dado em jul/07]

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Depoimento da Thais, nascimento do José (jul/07)

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Às 14:25 do dia 21 de julho de 2007, nasceu meu terceiro bebê. Estava cansada, dolorida e completamente emocionada e feliz. Nasceu em meio aos irmãos, que vieram ver o recém chegado irmão.
Nasceu chorando e logo veio para mim. Beijei e entreguei ao pai, para que se conhecessem. Voltou para o meu colo já abrindo a boquinha. Abri a blusa, encostei aquele corpinho em mim e me entreguei à primeira mamada. Ele olhava pra mim, eu olhava pra ele e para os outros dois filhos. João pediu para mamar no outro seio e, claro, deixei. Ficamos assim por um tempo, com a Melissa no colo do pai, fazendo carinho na cabecinha do novo bebê, que, só nessa hora descobrimos: era outro menino, o José.

Thais Saito (mãe da Melissa, 3 anos, cesárea, do João, 2 anos, parto domiciliar, e agora do José Lucas, 4 dias, parto domiciliar).

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A primeira hora de vida vista como o início da amamentação (jul/07)

Trecho do artigo: The First Hour Following Birth: Don’t, Wake the Mother!, de Michel Odent
“Havia uma vez, não muito tempo atrás, quando a primeira hora depois do nascimento não era vista como o momento de iniciar a amamentação. Imagine um bebê nascido em casa há mais de um século atrás. O cordão era cortado imediatamente. Depois o bebê era lavado, vestido e apresentado à mãe antes de ser colocado no berço. Uma anedota pode nos ajudar a perceber o quanto esta perspectiva é recente. Em 1977, em Roma, no Congresso de Ginecologia e Obstetrícia Psicossomática, eu apresentei um trabalho sobre a primeira expressão do reflexo de procura do bebê. Estava simplesmente descrevendo as condições ideais que permitem que o bebê encontre o peito durante a primeira hora após seu nascimento. Nenhum dos obstetras ou pediatras presentes na palestra podiam acreditar que um bebê humano seria capaz de encontrar o peito nessa primeira hora de nascido. Hoje a maioria das parteiras sabem que o bebê humano está naturalmente programado para encontrar o peito durante a primeira hora depois do nascimento. Além disso, é possível notar que em condições fisiológicas, quando o bebê recém-nascido está pronto para encontrar o peito, a mãe ainda está num estado particular de equilíbrio hormonal. Ela ainda está “em outro planeta”. Ela ainda é bastante instintiva. Ela sabe como segurar seu bebê. Entre os humanos, a amamentação é potencialmente instintiva nessa hora seguinte ao nascimento. Depois disso há lugar para aprendizado, imitação e até técnica.”
Leia aqui o texto na íntegra em inglês.

“Uma das frases que mais me tocou foi o título desse artigo do Michel Odent, ‘A Primeira Hora Depois do Nascimento: Não Acorde a Mãe!’. A princípio pensei que era sobre cesárea, uma mãe adormecida pela anestesia, achei horrível. Pensei em meu primeiro filho que havia nascido de cesárea e após uma rápida olhada, foi levado direto para o berçário. A desculpa: não havia ninguém disponível para ficar na sala com ele (as enfermeiras tinham mais o quê fazer). E eu, com os braços amarrados, sentia-me rendida.” [Depoimento de Analy Uriarte]

A leitura do artigo inteiro revela a magia dessa primeira hora que Vanessa Strauss pôde curtir com seu filho Igor, de acordo com seu relato abaixo:

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“Igor nasceu às 0h30 do dia 13 de outubro, ficou deitado sobre minha barriga, ainda unido à placenta pelo cordão umbilical, sendo nutrido pela “mãe do corpo”, num último momento. Enquanto isso eram feitos os procedimentos usuais de limpeza e eu regozijava por ter meu pequeno bebê comigo. Ficamos 5 minutos nesse enlevo, até que o cordão parou de pulsar e o pai pôde cortá-lo. Nesse tempo, pude me recompôr do cansaço e euforia. Sentei e ajeitei meu pequeno no colo, instintivamente ele abriu a boquinha e senti meus peitos se encherem, como mágica. Enquanto ele sugava um peito o outro vazava, num sinal da perfeição da natureza. Me senti poderosa por ter gerado um bebê e ainda ser capaz de nutrí-lo com meu próprio sangue transformado em leite, exclusivamente por mais 6 meses de vida extra-uterina.” [depoimento dado originalmente em 2006]

Outras referências para ler:

A observação visual mais impressionante dos primeiros minutos de vida é a capacidade do recém-nascido, se deixado sobre o abdômen de sua mãe após o nascimento, de rastejar até os seios de sua mãe, encontrar o mamilo e começar a sugar.
Veja aqui o trabalho: Mother and Infant: Early Emotional Ties de Marshall Klaus que aparece em Pediatrics, Official Journal of The American Academy of Pediatrics (EUA).

O percurso todo acontece aproximadamente em uma hora. De acordo com a ILCA (International Lactation Consultant Association), existe evidência científica para defender que a melhor forma de apoiar a amamentação é evitando rotinas com o recém-nascido até depois da primeira mamada que deve acontecer durante a primeira hora e, nesse período, é importante que a mãe mantenha contato pele a pele com seu bebê. Esta orientação está relacionada com inúmeros benefícios para o equilíbrio físico do recém-nascido e da mãe e também com uma maior duração da amamentação. Veja mais no site da ILCA.

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Renata e suas gêmeas – Amamentação: o que você tem a dizer sobre isso? (jul/07).

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Desde sempre, a maternidade e a amamentação eram experiências indissociáveis pra mim. Eu nem cogitava não amamentar. Era algo tão natural quanto gestar, parir, amar. Alimentar. Simples assim.
Tenho conseguido. Amamentar duas bebês sem complemento artificial. Duas bebês que crescem e engordam a olhos vistos. Que se desenvolvem maravilhosamente, são espertas, precoces, inteligentes. E felizes, muito felizes. Basta ouvir as lindas gargalhadas que vira e mexe inundam a casa de vida e me enchem o coração de ternura.
Não vou dizer que foi simples. Não foi. As dificuldades existiram. Algumas tão dolorosas que quase me fizeram desmoronar, não fossem as pessoas a meu lado. Aliás, essa é uma ótima oportunidade para agradecer. Ao Re, que fez um esforço incrível para superar sua própria ansiedade e comprar comigo a briga da amamentação exclusiva, ficando ao meu lado para o que desse e viesse. Lindo. À Márcia, consultora de amamentação, que teve a paciência de nos dar o apoio de que precisávamos para persistir e o ombro amigo para que chorássemos nossas pitangas à vontade. E à minha mãe, que sempre tinha uma palavra de tranquilidade e incentivo, sempre tão importantes. Sem todo esse apoio eu talvez não tivesse superado o que superei. A dificuldade de pega da Estrela, que mamou meu leite na mamadeira por três semanas, até voltar ao peito. A sensação de exaustão das primeiras semanas, quando eu praticamente não passava vinte minutos sem ter uma bebê no peito. A dor nos mamilos rachados que levaram mais de um mês para cicatrizar. A falta de incentivo do primeiro pediatra das meninas, que insistia que eu jamais teria leite suficiente para duas bebês e que elas não ganhariam peso adequadamente.
Mas tudo isso passou. Ficou pra trás, e hoje se me lembro parece tão pequeno. Tão insignificante diante da satisfação de ver minhas meninas crescendo pela minha doação.
Aliás, nem sei se faz sentido falar em doação. Porque acho que recebo muito mais do que dou. O prazer que sinto em amamentar é algo quase obsceno, de tão infinito. A mágica de estar constantemente dando a vida faz muito mais por mim do que por elas. Porque me torna grande, melhor, completa.
Amamentar, para mim, é muito mais que uma responsabilidade com as minhas filhas. Vai muito além da necessidade nutricional delas, dos benefícios físicos que proporciona. Está profundamente conectado com a nossa ligação mãe-filha, com o meu prazer na maternidade, com a magia de dar, através do meu corpo, a vida. Com a minha essência de mulher, mãe, mamífera.
Dar o peito é dar o leite, sim. Alimentar. Mas é muito mais do que isso. É aconchegar, acalentar. É amar. É se permitir transformar. Ser o veículo pelo qual a natureza expressa sua magia, sua ordem, seu sentido. É reestabelecer a ligação vital que tínhamos na gravidez, quando éramos um só corpo, uma só vida.
O que eu sei é que são momentos que vou guardar para sempre. As mãozinhas me segurando o seio, como se quisessem garantir a presença e o contato. Os olhares doces e cheios de ternura, que me miram como quem diz: ‘que bom que você está aqui’. O sorriso entre uma sugada e outra, meio que escapando, sem perceber, maroto e meigo a um só tempo. A respiração suave sentida no contato pele com pele. A sensação infinita de tê-las dormindo em meus braços, satisfeitas, seguras e felizes.
Sei também que tudo isso é ainda mais importante para mim do que para elas. Amamentar me faz sentir menos só. Porque me engrandece a cada momento. A cada toque. A cada troca.
De fato, eu não dôo, não. Elas é que me doam. Elas é que me dão a vida.
A cada mamada.

Obs: ainda hoje, com 2 anos e 1 mês, Ana Luz e Estrela continuam mamando. Simples assim.

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Vanessa e Luiza – Amamentação e introdução de alimentos

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Sendo nutricionista e defensora do aleitamento materno e assim, tendo a instrução correta de como agir nessa nova situação, senti-me primeiramente segura.
No início da amamentação tive dificuldades, pois sentia dores, mas sempre tive em mente as vantagens do aleitamento materno e que estava beneficiando a minha filha e que também ninguém a não ser eu poderia fazer isso por ela, e porque não?
Quinze dias incomodada com as dores, mas, depois a recompensa, o famoso prazer em amamentar, fato inexplicável a quem não teve a oportunidade (sinto muito, homens… rsrsrs).
A Luiza mamou por 2 anos e 8 meses, período suficiente para nós. Exclusivamente até o sexto mês e depois introduzimos gradualmente os alimentos.
Vale lembrar que o aleitamento materno deve ser realizado até os 2 anos de idade ou mais, dependerá do binômio (mãe e filho).
A introdução dos alimentos foi uma grande expectativa, porque introduzir remete ao novo, novidade, conhecimento e assim o foi.
Iniciamos de forma correta, ou seja, com os sucos de frutas. A carinha da Lú é inesquecível, característica da expressão facial de bebês experimentando novos alimentos, como se estivesse negando. Continuei com os sucos, passei para as papas doces e logo as salgadas.
Com as papas salgadas tive muitas recusas, mesmo porque o bebê tem em seu paladar a afinidade por alimentos adocicados, mas fui em frente, apresentando a papa de forma repetitiva.
Durante meses a Luiza não teve uma alimentação satisfatória, pois recusava comer a quantidade necessária da papa salgada, comia uma ou duas colheres (de café) e já se dava por satisfeita. Eu?… Imaginem, insatisfeitérrima, chorava (não em frente a ela), culpava-me, para ser sucinta frustrei-me, como uma nutricionista que se identifica com a nutrição na infância e adolescência passa por uma situação desta?, ah, não, não pode ser, mas passei, utilizando-me do meu conhecimento técnico e científico consegui depois de algum tempo com que a minha filha comesse bem, ou seja, comia qualitativamente e quantitativamente o necessário para que não houvesse comprometimento em seu crescimento e desenvolvimento.
Aprendi na prática que a criança tem sua hora, seus limites e que devemos respeitar, não é porque está escrito na literatura que será desta forma, há exceções e devemos ter o bom senso de trabalhar com elas e dosarmos de forma mais particular cada criança.
Por fim, atualmente ela é uma menina saudável, linda (lógico, não poderia faltar este adjetivo a ela, sou a mãe… rsrsrs), uma criança que não foge das normalidades ditadas pela sociedade médica.

 

Vanessa G. U. de Oliveira
Nutricionista, especializanda UNIFESP – Nutrição na Infância e Adolescência
Telefones:       11 6262 3820       ou 9887 7808
e-mail: v_grace@uol.com.br

 

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Rovana e Otávio – Como quase parei de amamentar

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Foram 15 dias após o Otávio nascer que eu senti um aperto no estômago.
Eu estava amamentando o Otávio numa noite de sábado, quando me veio aquele incômodo. Sentia como se estivesse usando uma calça muito apertada. Imaginei que após amamentar eu ia tomar um banho e então tiraria aquela calça que me apertava.
Qual foi meu espanto quando ao tirar toda a roupa no banheiro o aperto continuava e cada vez mais forte. Comecei a me desesperar embaixo do chuveiro, pois me faltava o ar e a dor aumentava cada vez mais.
Como fiz uma cesárea, fiquei imaginando que haviam esquecido algo dentro de mim. Pedi ao meu marido, aos prantos, que me levasse ao pronto socorro, pois eu não estava conseguindo respirar.
Deixei meu Otávio com minha mãe e fui. Demorei umas 5 horas no pronto-socorro fazendo todos os exames para descobrir o que eu tinha. Eu tinha tanta dor que peguei o médico pelo colarinho e pedi a ele que me desse qualquer coisa que fizesse aquela dor, que não me deixava respirar, parar.
Nesse dia, por ter que ficar tanto tempo longe do Otávio, meu bebê teve que tomar NAN. Fiquei muito triste com isso, e até pensei que seria a primeira e última vez, mas não foi assim.
Saí do hospital sabendo que tinha pedras na vesícula e que precisaria operar logo. Consultei um médico que me disse que por estar amamentando era melhor esperar meu filho completar 4 meses, pois ele tinha receio da cirurgia atrapalhar a amamentação.
Otavio estava com pouco mais de 1 mês e meio quando tive nova crise de dor, e infelizmente neste dia não tive como fugir de fazer uma cirurgia de emergência. Fiquei três dias no hospital, fiz uma cirurgia para retirar a vesícula seguida de uma endoscopia para retirar uma pedra que tinha saído da vesícula e estava em um canal do meu corpo.
Durante todo esse tempo o Otavio ficou tomando NAN, não havia dado tempo de eu fazer uma reserva de leite para dar a ele. Levei a bomba para o hospital para estimular os seios, mas com a cirurgia ficava difícil tirar leite nos intervalos certos, então eu tirava quando estava me sentindo bem o suficiente.
Mas foi após a endoscopia que ao voltar para o meu quarto, notei meus seios secos, pequenos, eles já não vazavam mais e nem ficavam duros de tanto leite, parecia que tinham voltado ao tamanho normal. Fiquei preocupada, mas dentre tantos problemas que eu estava enfrentando, deixei para cuidar desse assim que voltasse para casa.
Como eu estava no hospital, eu não quis que o Otavio fosse lá por medo de contaminação, fiquei três dias sem ver meu bebe a não ser por fotos da máquina digital que meu marido trazia para mim todos os dias.
Ao voltar para casa encarei meu pesadelo: Ainda com os três cortes da cirurgia, tentei amamentar o Otavio que chorou a bessa para pegar o peito, e mais ainda porque eu não tinha mais leite! Meu peito estava completamente seco.
Fiquei desesperada, e senti o peso de uma ameaça para uma segunda frustração.
O Otávio nasceu de cesárea pois estava pélvico e eu não tinha a menor condição de pagar um medico particular que topasse fazer o parto pélvico. Mesmo assim consegui que minha médica só fizesse a cesárea após começar o trabalho de parto. Essa foi minha primeira frustração: ter um parto cesárea. E agora podia ser que a amamentação no peito do Otavio ficasse reduzida a um mês e meio.
Liguei para a ginecologista e para a pediatra do Otavio e ambas me disseram para tomar Plasil, e lá fui eu, tomar plasil. Fazia o Otavio sugar meu peito antes e como não tinha leite eu enganava ele com um conta gotas com Nan para que ele sugasse e estimulasse os seios, depois dava NAN para ele que não podia ficar com fome. Durante dois dias e duas noites foi assim, mas eu não perdia as esperanças de voltar a produzir leite para meu filho. Qual foi minha surpresa quando na segunda mamada da madrugada do segundo dia, enquanto minha mãe preparava a mamadeira com NAN, o Otavio sugava meu seio, eu senti meus seios produzirem leite e meu filho sugou – eu chorei de emoção e agradeci a Deus por este milagre. Apesar da mamadeira estar pronta não foi preciso dar e daquela vez em diante meu filho parou de tomar NAN.
Fiquei tão feliz e achei que estava tudo terminado. Mas com 4 dias de alta voltei ao Pronto Socorro com dor e febre. Resultado: Eu estava com uma hemorragia no abdômen e com inicio de infecção, precisava ficar internada novamente. Cheguei a pensar que não viveria para ver meu filho crescer e fiquei com um medo enorme de morrer.
Me internei no dia em que meu filho completou 2 meses. Foi chorando que pedi que o Otavio viesse ao hospital, eu precisava vê-lo para poder ter forças de enfrentar tudo para poder cuidar dele. Chorei quando ele entrou no meu quarto e sorriu quando foi para o meu colo e mamou antes que eu começasse a tomar as medicações.
Quando ele foi embora, me colocaram o soro, e eu comecei a transfusão de sangue, pois estava com anemia grave e precisava estar bem para operar pela manha para sanar a hemorragia.
Passei uma madrugada sem dormir, pensando no que seria de mim, e pedindo a Deus mais um milagre para minha vida.
Meu marido me deixou sozinha por umas horas pela manhã para ir em casa ver o Otavio. E eu fiquei no quarto com meus pensamentos, as 8:30 da manhã entraram no meu quarto dois anjos: eram duas voluntárias do projeto “Pensamento Positivo”, elas perguntaram se podiam ficar comigo um tempo. Eu agradeci a elas e disse que eu realmente estava precisando de companhia. Elas me distraíram até as 9:00 quando me buscaram para a cirurgia.
Ao chegar no centro cirúrgico eu avisei que estava amamentando e que tivessem cuidado com a medicação para que meu seio não secasse de novo. Quando começaram a me dar a anestesia geral eu me concentrei em orações e pedi a Deus que tudo corresse bem, pois eu ainda queria ver meu filho e cuidar dele se meu Deus permitisse.
Saí da cirurgia com um dreno no abdômen. Fiquei três dias internada e então tive alta, mas o dreno foi comigo para casa. Fiquei mais dois dias com o dreno no abdômen em casa, e durante todo esse tempo não pude amamentar meu filho por causa do dreno. Eu tirava o leite com a bombinha, mas sentia que ele estava cada vez mais escasso. Voltei a tomar o plasil, o chá da mamãe da Weleda, e qualquer outra coisa que me dissessem que fazia dar leite. Sofria ao ver o Otavio mamar na mamadeira, mas dos males aquele era o menor, pois eu agradecia a Deus pela oportunidade de me deixar viver mais um pouco e se fosse esse o preço (deixar de amamentar) que eu e o Otavio tínhamos que pagar para que eu pudesse cuidar dele mais um pouco, eu ficava grata. Mas não ia desistir.
Assim que tirei o dreno, cheguei em casa e dei o peito para o Otavio que pegou meio desajeitado, mas pegou e lágrimas escorreram dos meus olhos quando ele sugou. Eu fiquei com ele no peito durante quase o dia todo, oferecia a todo momento e ele aceitava. E acordava de bom grado na madrugada para dar de mamar.
Hoje, fazem 15 dias que voltei a amamentar o Otávio. Graças a Deus estou conseguindo amamentar, minha produção de leite não voltou a ser a do inicio, quando eu ficava com os seios duros de leite, mas o Otavio fica satisfeito e esta engordando cerca de 25gramas por dia pela consulta que tivemos com a pediatra ontem (04/09).
Estou feliz por estar viva, sou grata a Deus por ter me concedido esse milagre, sou grata ao Otavio por não ter desistido de mamar no peito. Muita coisa mudou na minha cabeça depois dessa experiência. O fundamental foi não ter deixado de confiar em Deus e não ter perdido a fé.

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Inauguramos nosso espacinho de depoimentos.
Nosso primeiro depoimento é da nossa queridíssima AnaCris. É para ler e se deliciar!!!

A primeira filha começou com um complementozinho depois da mamada, quando eu achava que ela não estava satisfeita. A pediatra jurou que isso não ia atrapalhar a amamentação. Com 2 meses de nascida ela já estava totalmente desmamada.
Frustrante.
Nasceu o segundo filho. Um dia eu estava tão cansada, logo depois dele nascer, que dei o bendito complemento. Depois de 15 minutos ele vomitou tudo. Parecia protesto!!! Desse dia em diante eu não quis mais saber da maldita lata e joguei-a no lixo.
Eu tenho uma relação bastante difícil com complementos…
A coisa com o meu segundo filho só funcionou no dia em que, sei lá porque cargas d’água, talvez pela desistência da primeira filha, eu decidi que tinha que funcionar e pronto. Eu me lembro do insight até hoje.
Eu estava tão frustrada com a primeira experiência, e aquela vomitada foi tão simbólica, que eu simplesmente decidi naquela hora que tinha que dar certo e pronto.
Eu (EU, POR FAVOR, EU, COMO MÃE, NÃO COMO EDUCADORA) vejo o complemento como um diabinho que fica tentando a gente o tempo todo por trás dos ombros.
– Dá só um pouquinho, só pra você descansar. Ele está com fome, você precisa se recuperar do parto.. Dá no copinho que não faz mal. Dá no conta-gotas, o bebê não vai nem perceber.
Aprendi com uma amiga minha, que se trancou no quarto com o filho e falou: a gente vai se acertar com esse negócio ou você vai morrer de fome!!! E não é que eles se acertaram rapidinho??
Na minha experiência como mãe, a disponibilidade do complemento é igual à disponibilidade da anestesia no parto. Está tão fácil, tão fácil, que precisa muita força de vontade para resistir, muita firmeza de propósito. E esse não é o meu forte, basta ver o número de segundas-feiras do ano em que começo minhas dietas e desisto nas segundas-feiras após as 17h…
Só um aparte, meus dois filhos nasceram com um bom peso e nunca tiveram problemas de ganhar peso abaixo do esperado. A Julia sempre foi mais magrinha, o Henrique mais fofinho, mas ambos dentro das “tabelas do doutor”.

Ana Cristina Duarte
Mãe, doula e amiga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amamentar é a verdadeira junção das palavras mamãe e amar.

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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